Rede Natura 2000

A Rede Natura 2000 é uma rede ecológica de âmbito Europeu, que tem por objetivo contribuir para assegurar a biodiversidade, através da conservação dos habitats naturais, fauna e flora selvagens no território europeu dos Estados-membros em que o tratado é aplicável. Resultou da aplicação das Diretivas 79/409/CEE (Diretiva Aves) e 92/43/CEE (Diretiva Habitats) e a sua delimitação teve por base critérios exclusivamente científicos. As atividades humanas nestas aéreas deverão ser compatíveis com a preservação dos habitats e espécies dos Anexos, visando uma gestão sustentável do ponto de vista ecológico, tomando simultaneamente em consideração as exigências económicas, sociais, culturais, bem como as particularidades regionais e locais.

A rede Natura 2000 é constituída por: zonas de Proteção Especial (ZPEs): vocacionadas para a proteção das espécies de aves e seus habitats (Mapa 1) e por zonas Especiais de Conservação (Sítios da Lista Nacional e Sítios de Importância Comunitária ou SICs).

Estas zonas foram criadas ao abrigo da Diretiva Habitats e visam contribuir para a proteção da Biodiversidade existente nos habitats naturais (Anexo I da Rede Natura) e dos habitats das espécies da flora e da fauna selvagens (Anexo II) consideradas ameaçadas no espaço da União Europeia.

No Concelho de Arcos de Valdevez existem quatro zonas da Rede Natura 2000, uma zona de proteção especial (ZPE) e três Sítios de Importância Comunitária (SIC) da Região Biogeográfica Atlântica. Dos cerca de 42 km de extensão do rio Vez, um pouco menos de metade está incluída no SIC Rio Lima, compreendendo o troço entre a foz do Vez no Lima até à foz do Cabreiro no Vez (cerca de 17 km). Este Sítio prolonga-se também por parte do Rio Cabreiro, rio Ázere e rio Frio.

Habitats

Espaços florestais

Os espaços florestados naturais, em que se incluem florestas, pequenos bosques e mesmo sebes arbóreas na divisão das propriedades rurais, são formações vegetais que representam as etapas mais maduras de um processo de sucessão natural. No seu estado mais pristino, são ecossistemas dinâmicos, com grande complexidade estrutural e estabilidade temporal, sendo capazes de suportar uma elevada biodiversidade. Associada a estes sistemas a flora desenvolve-se em vários estratos, formando componentes arbustivos e herbáceos, que se desenvolvem sob a copa arbórea das espécies dominantes. As árvores, que dão cobertura superior ao sistema, constituem as espécies estruturantes ou formadoras de habitat. O tipo de folhagem das espécies arbóreas bem como o teor em água do solo condicionam o tipo de vegetação que pode desenvolver-se nos estratos inferiores. O interior das florestas é geralmente uniforme, ocorrendo nas bordaduras e clareiras a maior variedade vegetal, devido ao crescimento de espécies mais exigentes em luz. Se ao nível do solo o sistema parece uniforme, ao nível da copa e do tronco as condições ambientais favorecem as comunidades de pequenos animais, sendo de destacar os insetos e as aves como os animais mais característicos dos sistemas florestais. Na realidade, de todas as árvores que fazem parte do elenco florestal espontâneo nacional, os carvalhos são as espécies que, individualmente, suportam a maior diversidade animal. No norte de Portugal, os carvalhais são considerados o expoente máximo da vegetação arbórea, assumindo-se que antes da intervenção humana todo o território estaria coberto por extensos carvalhais. Na atualidade, os carvalhais estão restritos a pequenas áreas residuais, geralmente onde o acesso é mais difícil ou onde a exploração agrícola não os substituiu. No noroeste montanhoso de Portugal, nas zonas mais atlânticas, situadas a cota mais baixa ou com verões mais frescos, o carvalho-alvarinho (Quercus robur) é a espécie dominante; em zonas mais secas, em que o verão é bastante quente e seco, o carvalho-negral (Q. pyrenaica) e o sobreiro (Q. suber). Ao longo do rio Vez, o carvalho-alvarinho é a espécie dominante das florestas nativas, embora possa ser pontualmente acompanhado por exemplares de sobreiro, nas zonas um pouco mais secas ou de solos menos profundos.

Matos

Os matos são formações vegetais dominadas por plantas lenhosas perenes de porte arbustivo baixo e de crescimento lento, cobrindo espaços onde a vegetação arbórea foi eliminada por ação do Homem (ex: pastorícia, fogos, cortes das florestas primitivas). Embora existam matos climácicos, em regiões onde as condições edafoclimáticas não permitem o crescimento de árvores, em Portugal Continental a latitude e a altitude não são justificação para que esse tipo de matos se desenvolva. Assim, podemos considerar que a quase totalidade dos matos existentes em Portugal correspondem a matos degradativos, de substituição das comunidades florestais que terão existido. Apesar da aparente homogeneidade destas formações vegetais, muitas das associações que os compõem são biogeneticamente ricas e bastante estáveis ecologicamente. Este tipo de ecossistema desempenha um importante papel na regulação do ciclo da água e dos nutrientes, para além de servirem de refúgio para a biodiversidade. Os tojais e os tojais-urzais, são os tipos mais comuns de matos (que também compreendem giestais, charnecas húmidas, entre outros). São o tipo de vegetação mais caraterística da Europa Atlântica e integram uma parte considerável da zona norte do país, nomeadamente nas vertentes montanhosas em que o solo apresenta uma certa degradação.

Galerias ripícolas ou ribeirinhas

As galerias ripícolas são elementos estruturantes da paisagem circundante aos rios. Correspondem a um prolongamento da floresta atlântica envolvente, diferenciando-se desta pela presença de espécies mais exigentes no que diz respeito às condições hídricas. Dada a menor profundidade da toalha freática, o corredor ribeirinho é colonizado por espécies que toleram bem o encharcamento e inundações periódicas, durante as enchentes de inverno e primavera. As espécies presentes obtêm a água quer do rio diretamente, como é o caso das grandes árvores (por exemplo, freixos, salgueiros, amieiros, plátanos, choupos e carvalhos), quer da toalha freáticas, como é o caso das plantas herbáceas de grande tamanho, de que são bons exemplos a angélica (Angelica major) e a cicuta, (Conium maculatum).

 

As galerias ripícolas desempenham a importante função ecológica de fixação e manutenção das margens, bem como de regularização e retenção de águas na altura das cheias. Em condições naturais, a galeria ribeirinha contribui para o armazenamento da água no solo (água freática) de uma forma relativamente estável, o que contribui para manter o caudal do rio a níveis superiores durante o período de seca do que seria possível na ausência dessa galeria. Is to é possível em parte porque a água captada pela vegetação não é imediatamente libertada para a atmosfera, ficando retida nas raízes, troncos e folhas por períodos por vezes consideráveis. Ou seja, a vegetação ripícola funciona como uma grande esponja que armazena a água durante os períodos de cheia, libertando-a depois gradualmente à medida que a água vai escasseando no ambiente envolvente. Curiosamente, os melhores armazenadores de água são as grandes plantas herbáceas da margem, que podem conter entre 80 a 98% do seu peso em água, com variações diárias muito reduzidas. Além disso, a sua densa rede de raízes contribui para a fixação da margem, ajudando a prevenir fenómenos de erosão.

No geral, a galeria ripícola atua como filtro biológico e como fonte de alimento, para além de constituírem habitatspróprios para muitos animais. São fundamentais para a ocorrência e conservação, não só de espécies aquáticas, mas também de todas as que estão associadas ao ecossistema ribeirinho.

Prados permanentes

Os prados permanentes são formações herbáceas seminaturais que são normalmente cortadas durante os meses de verão, para produção de feno como parte de práticas agrícolas tradicionais. Durante o inverno estes podem servir de pastagens para o gado bovino. Nos restantes meses do ano, estes espaços dão lugar a terrenos em pousio, com uma variedade e quantidade de flores silvestres que atraem e suportam uma grande diversidade de insetos polinizadores e artrópodes controladores de pragas. A abundância de insetos atrai também a avifauna que tira partido não só deste recurso, mas também de outros habitantes de zonas abertas, nomeadamente anfíbios, répteis e pequenos mamíferos. Estes espaços são normalmente ladeados por sebes vivas, que funcionam como corredores de dispersão entre manchas florestais isoladas. Esta característica permite que ocorram também organismos típicos de espaços florestados, que encontram nas sebes vivas local de alimento, criação e abrigo.

Espaços cultivados

Os terrenos agrícolas, mesmo sendo espaços manipulados para utilização humana, são locais visitados por muitas espécies animais. A sua capacidade para suportar e acolher animais e plantas espontâneas depende da tipologia do cultivo. As culturas intensivas, deixam menos espaço para a natureza selvagem; as culturas extensivas, que passam normalmente por um período de pousio, dão mais espaço á natureza, permitindo o desenvolvimento de muitos animais e plantas antes da sua utilização agrícola. Esse período é extremamente importante para a manutenção da fertilidade e estrutura do solo, processo que está muito dependente do desenvolvimento anual dessas comunidades temporárias.

Quando o solo de cultivo é remexido por máquinas agrícolas, muitas são as aves que aproveitam a ocasião para encontrarem facilmente alimento, como insetos e anelídeos, que acabam por ficar mais expostos aos predadores. Também muitos roedores utilizam este espaço para se alimentarem, atraindo consequentemente os seus predadores como aves de rapina e alguns répteis.

Normalmente são ladeados por terrenos incultos e sebes vivas, tornando estes espaços em locais de dispersão entre manchas florestais isoladas. Estes terrenos marginais aos campos cultivados, são muito importantes quer para a fauna quer para a flora, que aí encontram refúgio.

Espécies

Património construído

A caminho de Sistelo