Anfíbios, répteis e libélulas

Entre o açude e a ponte, surge um troço de rio de pouca profundidade, favorável à colonização por parte de plantas aquáticas e anfíbias. A acumulação de seixos rolados transportados pelo rio, dá origem a uma pequena ilha onde se acumula algum solo no final do inverno. Nessa ilha desenvolve-se uma vegetação abundante, com destaque para o não-me-esqueças (Myosotis secunda), embude (Oenanthe crocata) e o ranúnculo-aquático (Ranunculus peltatus), entre outras. Esta vegetação, bem como as grandes plantas herbáceas (megafórbios) que crescem nas margens, proporciona o habitat ideal para vários grupos de animais. 

Os anfíbios, como a rã-verde (Pelophylax perezi), a rã-ibérica (Rana iberica) e o sapo-comum (Bufo bufo) encontram neste micro-habitat locais que lhes proporcionam abrigo e alimento abundante, como por exemplo estados larvares de libélulas e libelinhas. Estes últimos, no seu estado adulto ou imago, sobrevoam o espelho de água na primavera e verão, em busca de alimento, como pequenos insetos (moscas e mosquitos), ou de parceiro para acasalamento, num frenesim de movimento e cor. Ocultos na vegetação das margens, alguns répteis como a cobra-de-água (Natrix maura) e o lagarto-d’água (Lacerta schreiberi) esperam pelo momento oportuno para atacarem as suas presas.