Embora o rio Vez percorra um vale sem barreiras, é possível atribuir a diferentes zonas um carácter dominante, definidas com base no grau de humanização, a tipologia do rio e a ocupação das suas margens por distintas unidades de paisagem. Essas características estão por detrás da organização do Museu em diferentes temas (de A a F), numa analogia às salas temáticas de um museu de arte. Cada painel no terreno corresponde a uma sala distinta, em que a organização teve em conta fundamentalmente os aspetos naturais. Não significa isto que apenas nas regiões abrangidas por cada painel seja possível observar os elementos naturais referenciados nestes. Apenas indica locais onde a observação desses elementos (espécies, habitats, tipos de organismos…) é mais provável, é mais fácil ou é mais caraterística do sector do rio Vez presente.

O rio Vez

O rio Vez tem origem numa região dominada por fragas de xisto e de granito, num local conhecido por Lamas do Vez, situada a cerca de 1200 metros de altitude. Pequeno regato na bacia de origem glaciar em que nasce, rapidamente ganha as dimensões de um pequeno ribeiro, que à passagem pela branda da Aveleira já se transformou numa linha de água permanente, embora de reduzida profundidade. No seu caminho para as terras baixas, o rio Vez abandona os espaços talhados pelo glaciar e rapidamente se precipita num vale apertado, muito íngreme, em que os matos vão dando lugar gradualmente a pequenos bosquetes de folhosas e giestais. Rio selvagem durante a estação das chuvas, o Vez transforma-se num agradável ribeiro de águas límpidas quando o verão se aproxima, com alternância de poços e de zonas rápidas, que fazem deste rio o habitat ideal para a truta, a lontra e o melro de água. Com a entrada nas terras baixas do Vale do Vez a paisagem muda completamente de aspeto. Para jusante de Porta Cova, a paisagem agrícola passa a dominar e o rio Vez torna-se mais calmo e mais largo, mas sem perder as características de um rio de montanha, com regime torrencial. A partir dessa zona, a paisagem é fundamentalmente humanizada, sendo os socalcos agrícolas o seu aspeto dominante.